Diron Animal é o bicho (e ele ataca sozinho)

“Alone” é o primeiro disco solo do cantor, MC e multi-instrumentista angolano, radicado em Portugal. “Há um animal em mim no palco”, adverte.

Diron Animal é um pantera negra. E ele está solto. Depois de seis anos de dedicação exclusiva ao grupo Throes + The Shine, o cantor, MC, produtor e multi-instrumentista angolano, radicado em Portugal, resolveu deixar para trás não apenas seu grupo – um marco no circuito português, com sua mistura de rock e kuduro – como também seu antigo nome artístico, Diron Shine.

– Precisava desvincular Diron de The Shine ou de Throes – me diz ele, que nasceu e cresceu em Cazengua, bairro na periferia de Luanda, até se mudar para o Porto, aos 17 anos. – Então, o nome que me veio a cabeça foi imediatamente Animal porque uma coisa que gosto fazer é despertar o animal que há em mim num palco.

Decidido a caminhar sozinho, Diron batizou seu primeiro álbum solo justamente de “Alone”. Lançado pela gravadora inglesa Soundway, ele traz nove músicas – cantadas em português, inglês e kimbundu (dialeto angolano) – que parecem banhadas em vibranium de tão potentes. “Afro-house e post-kuduro”, arrisca o selo colado na capa do vinil para definir o balanço moderno de “Kama”, “Bitch my love”, “NCrazy” (com a participação do rapper sul-africano Spoek Mathambo) e “Oxalá kuanboté”.

– Os Buraka Som Sistema foram uma das minhas influências para fazer esse disco, assim como Fela Kuti, Daft Punk, Major Lazer e Yuri da Cunha – desvenda Diron, que cantou, tocou e produziu a maior parte do material de “Alone”. – Fiz tudo no meu home studio. Algumas ideias das musicas surgiram no momento de produção, mas a maior parte surgiu no meu dia a dia. Às vezes, passeando pela rua, por exemplo, surgia uma ideia e eu gravava no telemóvel. Quando chegava em casa, gravava ou produzia o instrumental. É um processo que me acontece com muita naturalidade.

O vibrante colorido de “Alone” – “um disco extraordinariamente coerente, onde funk, afrobeat, house e ritmos tradicionais de Angola se fundem, em vez de colidir”, elogiou o jornal francês “Libération” – espelha o visual arrojado de Diron, em estilo Wakanda, já que ele mesmo cria suas roupas.

– Desenho as minhas roupas e muitas vezes também acabo por fazê-las – explica ele, que assina também seus próprios vídeos. – Venho de uma família muito humilde. Quando era criança, não tinha brinquedos. Assim como meus irmãos, amigos e familiares, tínhamos que fazer os nossos próprios brinquedos. Fazíamos carros de lata com latas de chouriço e muitas outras coisas. Isso despertou a minha criatividade. Não sigo muito a moda, mas gosto de coisas extravagantes e quando faço minhas roupas, tenho atenção a este pormenor.

(Foto de divulgação)