Red Bull Music Academy colore São Paulo com festival de diversos tons

A rapper transgênero norte-americana Mykki Blanco passa pelo festival na noite Queeridx, ao lado de Linn da Quebrada

O patrão enlouqueceu, mas a casa continua aberta para todos. Em contraste com as recentes declarações do co- fundador da Red Bull, o bilionário austríaco Dietrich Mateschitz, que afirmou ser contrário às políticas de imigração na Europa e demonstrou simpatia com a extrema-direita, a marca segue, independente, à frente de exemplares e inovadores projetos de integração e trocas culturais. Um dos mais celebrados deles, a Red Bull Music Academy, traz para São Paulo, a partir de amanhã, pela primeira vez, seu desdobramento, um festival que leva não apenas o seu nome, mas também sua avançada política musical. No evento, que vai até o dia 11 deste mês, vão acontecer palestras, shows, festas e exposições, misturando rock, eletrônica, hip-hop, MPB, funk e sons experimentais, num abraçaço que vai dos Racionais MCs (tema de uma mostra) à rapper transgênero norte-americana Mykki Blanco. Muros, nem pensar.

– A Red Bull Music Academy é um projeto de residência artística, voltado para os artistas selecionados em todo o mundo e realizado uma vez por ano em cidades-sede – explica Akin Bicudo, integrante do coletivo Metanol FM e curador do evento. – Já o festival, ele equilibra o perfil global com o local e é mais aberto ao público, com uma programação que se estende por vários dias.

Realizado anualmente em Nova York desde 2013 (neste ano, com as presenças de Elza Soares e MC Carol), com duas edições extras em Paris, o festival mira em São Paulo como exemplo dessa dualidade global-local. É o caso da noite de estreia, apropriadamente chamada Baile, que reúne os DJs Carlos do Complexo e Grandmaster Raphael, tocando variações do funk carioca, com o produtor norte-americano Egyptian Lover, cultuado por seu electro-rap, e também da festa Queeridx (9 de julho), que une Mykki com a rapper paulistana Linn da Quebrada. A programação completa está aqui..

– Um evento desses só faz sentido, em termos de relevância, se cria um diálogo entre uma ou várias cenas que existem no Brasil e o que acontece no mundo. E nessa edição, a maior parte das atrações é local, não apenas de São Paulo, mas do Rio, de Belo Horizonte, Curitiba etc. A ideia é mostrar como todos estão se posicionando em relação aos lugares de onde vem sua inspiração e como o local também pode inspirar o global. A nossa curadoria buscou essas trocas – conta Bicudo, que contou com colaboradores como Chico Dub, do festival Novas Frequências.

Com todo esse colorido, o Red Bull Music Academy Festival serve também como um saudável contraponto à onda asséptica e segregadora que ronda a cidade desde a posse do engomado prefeito João Dória.

– Sem dúvida, tivemos muita sorte em colocar nessa primeira edição do festival representantes de várias correntes alternativas, do mundo queer ao experimental, passando pelo funk e o hip-hop – diz o curador. – É importante empoderar essas pessoas e mostrar que a arte delas é capaz de inspirar gente que muitas vezes se acha sem representação. A questão da inclusão é muito significativa para o festival.

(Foto de divulgação)