Marizilda Cruppe e as guardiãs da floresta

press_photo_project_marizilda_cruppe

“Marilza”. “Marinilda”. “Marizete”. “Marinalda”. “Aparecida”. No Facebook, Marizilda Cruppe, uma das melhores fotojornalistas do país, finalista do Greenpeace Photo Award 2016, costuma brincar com as diversas leituras que seu nome costuma despertar ao longo de viagens pelo país e pelo mundo na busca constante por um clique e uma história. Suas imagens, porém, valem mais do que mil palavras trocadas, sejam elas registradas em Melgaço (Ilha de Marajó), na Aldeia Sawré-Muybu (Pará), em Jalisco (México) ou na Antártica.

Técnica em Mecânica, quase engenheira, quase piloto de avião, ela é inquieta ao ponto de criar, há cerca de 15 meses, a série “Wherever photography takes me”, registrando sua vida nômade, sem residência fixa.

– É o meu atual modo de vida. Vou vivendo assim enquanto estiver interessante, um dia de cada vez – conta ela, que trabalhou no jornal “O Globo” e foi duas vezes jurada do prestigiado concurso World Press Photo. – Fotografo os quartos onde durmo como fazem muitos fotógrafos e viajantes. É uma recordação para mostrar para a família e pros amigos

Colaboradora do Médicos sem Fronteiras, da Cruz Vermelha Internacional, Funbio e da própria Greenpeace, além de publicações como “NYT” e “Guardian”, Marizilda concorre à bolsa do Greenpeace Suíça com o projeto “To live and to die for the rainforest”/”Viver e morrer pela floresta” (a votação termina nesta sexta), sobre ativistas em defesa da floresta contra o desmatamento, uma causa tão nobre quanto perigosa (nos últimos três anos, 92 pessoas foram mortas na região).

– Estive na região amazônica pela primeira vez há mais de 15 anos e, desde 2009, vou todos os anos, mais de uma vez. Conheço uma outra Amazônia, a do desmatamento, das queimadas, do desrespeito aos direitos humanos, mas também uma Amazônia de luta coletiva forte, de anônimos que dedicam suas vidas para preservar uma floresta e um modo de vida que beneficia a todos nós – explica. – Para este projeto, especificamente, fiz duas viagens este ano, auto-financiadas. Tudo na Amazônia é superlativo: as distâncias, os custos, as dificuldades de acesso, as dificuldades de comunicação.

class="size-large

No projeto, Marizilda (acima) concentra seu olhar na luta de mulheres como Rosalia, Rosinha (à esquerda e à direita na foto no alto), Claudelice e Laisa, mostradas no vídeo de apresentação do concurso.

– A luta para defender a floresta, por si só, já é luta invisível. Quando falamos da luta das mulheres, é ainda mais. Somos invisíveis nas nossas famílias, no mercado de trabalho, na política. Foi natural eu me envolver com essa história depois de conhecer a história delas. Há muito mais mulheres para entrevistar. Rosinha e Rosália, Claudelice e Laísa foram as primeiras, mas há muitas mais – diz ela, que conta com a bolsa do Greenpeace para fazer mais entrevistas e concluir o projeto multimídia. – Sou fotógrafa, mas decidi usar vídeo também porque gostaria de aproximar mais as defensoras da floresta de quem está distante do tema. Vê-las em movimento e ouvir suas próprias palavras é uma maneira de estar mais perto.

Em suas recentes viagens ao local, ela diz que ouviu os sons da floresta, ao lado de uma playlist variada.

– Tinha Pearl Jam, Quarteto Radamés Gnatalli, Francisco Mário, Dragon Force, Julieta Venegas…Um saco de jujuba (risos).

(Foto de divulgação/Marizilda Cruppe)